Ocorreu um erro neste gadget

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Minha retina
ativa
a melanina
dos corpos celestes...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


...cobicei tuas mãos
no primeiro momento em que as vi.

e vejo, estão aqui agora...
lúbricas, emolientes
envolvendo-me numa carícia oceânica.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

quando a dor se for
se muita for a dor
é preciso estar pronto
é preciso coragem
 pra viver o que for...

quando o botão virar flor
e o perfume se esvair
é preciso ter narinas abertas
é preciso ainda saber inalar

quando a casa virar lar
é preciso ter cortinas
mais pra abrir que pra fechar
e deixar sair golfadas de amor
deixar sair, deixar ir...
e aprender a ficar.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

nos momentos de criação, o que criamos é o que já existe no reino das palavras. somos um molde, em alguns pontos vazado, em que se vão encaixando e desencaixando as palavras, dando como resultado um estilo de pensar, um pensamento, uma lógica, uma forma de ver o mundo. somos uma peneira, um filtro, uma caixa de ressonância, uma folha branca, em que vamos escrevendo o que nos escreve, como num movimento de inspirar-expirar.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Inês...

...quecível

olvidável

moldável,

água

de Moldávia.

sábado, 16 de julho de 2011

seguem minhas velhas crônicas...

CAFÉ DA MANHÃ CRIOULO

Ouvindo a Rádio Educativa, em Curitiba, nos idos de 99, muitas vezes tive agradáveis surpresas, encontros com vozes conhecidas, interpretando canções também conhecidas de maneira absolutamente nova, com algo de inesperado, um trinar de voz, uma força antes ausente. Canções que ganham um pigmento outro, como Pavão Misterioso, numa versão primorosa de Ney Matogrosso, amparado por um arranjo grandioso, como um hino, uma ode ao pássaro, dando-lhe vida e movimento ao ritmo da melodia. Outra deliciosa casualidade foi escutar Verônica Sabino cantando Peito Vazio (que já é linda com Nelson Gonçalves). Essa cantora, de voz amanteigada, só deixou mais bela a canção, abusando de um vibrato notável. Falando em vibrato, não dá pra deixar de citar o da Marisa Monte, o da Gal, magistral, o da Vânia Bastos... Esta, aliás, cantando Dindi, mereceria uma crônica à parte, tal é a precisão – pra não dizer “perfeição” – de sua colocação vocal. Mas uma de minhas maiores felicidades foi escutar de repente – no meio de um trânsito um tanto caótico da manhã curitibana – Cesária Évora (que eu nem sabia que se chamava Cesária Évora), uma cantora do Cabo Verde, presenteando o ouvinte logo cedo com uma serenata crioula. Quando me dei conta estava escutando uma canção, extremamente melodiosa e bela, chamada Bo e Di Meu Crecheu ("você é o meu amor", em crioulo), que só vim a saber depois, ligando para a rádio assim que cheguei no trabalho. O que ia me intrigando mais e mais, depois de já me haver ganhado a melodia, era a sequência de palavras, tão familiar aos ouvidos e tão estrangeira ao entendimento. Parecia minha língua, logo não parecia mais; meia palavra eu entendia, a outra metade – aquela que viria para completar o sentido e mitigar minha ânsia de compreensão – era sílaba imprevista, um tropeço, uma descontinuidade. Dias depois, comprei o CD: Cesária é negra, gorda e tem um dos olhos completamente estrábico. Linda. Quanto às letras..., bem, constam em crioulo e em inglês, e a gente vai se virando com a tradução do inglês pra entender um pouquinho dessa língua excêntrica que é o crioulo. Enfim, a voz de Cesária naquele início de dia foi como acordar com café na cama e degustá-lo ainda meio dormindo, embalada por um resto de sonho, cosmopolita, de sabor português, de alma africana, de coração brasileiro.

sábado, 2 de julho de 2011

outro da gaveta, dos idos de 2001... (postado sem revisão)

Óleo sobre fala


Meus conhecimentos ou impressões sobre pintura são parcos e, temo, extremamente pontuais. Mas, à mercê da crítica de leitores experts no assunto, arrisco expô-los.
Impressões, nesse caso, são como imagens impressas na memória, ‘pintadas’ mesmo em minha história. No traço e suas cores, no movimento e suas luzes e sombras, no espaço e sua profundidade, humildemente fico eu em perspectiva.
Salvador Dalí é pura nitidez e definição, dele recordo Muchacha en la Ventana, e todo o azul de um olhar que não se vê. Velázquez carrega no mí(s)tico, e Las Meninas enfeitiça por sua feição esfíngica, seímos no inconsciente. Goya, impressionante, no clarão feito de tintas no momento derradeiro: . Magritte, lírico e sonâmbulo, recorta parte de um rosto, coloca-o ao lado, esvazia o velho de chapéu negro e bengala, chamado O Terapeuta. Edward Hopper, em Hotel Room, descansa nosso olhar no langor da jovem que lê horários de trem. Cèzanne, se é que possa alguém alcançar o áspero mais macio de suas naturezas mortas. Degas é minha aula de balé mais longínqua e mais esperada. Sorolla e Kroyer pintaram passeios pela praia de duas damas e suas esvoaçantes roupas, e os segredos trocados debaixo dos chapéus. Kandinsky é um mergulho num balde de tintas e brinquedos de todas as cores e formas que se possa imaginar. Monet, em pinceladas curtas, em mosaicos de dura visão, recria o onírico dormente em minha alma. Roy Lichtenstein brinca de bolinhas que viram bolhas de sabão num banho de milhares de pontos vermelhos e azuis.
E há o momento em que as palavras se fazem rasas e acabam diluídas no silêncio incrivelmente falante das imagens eleitas. Assim, para minha sorte e deleite, é quando então posso calar e fruir.